Sistema de armazenagem

Sistemas de Armazenagem: O que você precisa saber

Acidentes acontecem, mas muitos poderiam ser evitados com ações de prevenção e inspeção regulares. Essa afirmação é absoluta quando se fala em sistema de armazenagem, já que as estruturas são de grande porte e garante organização de estoques de todos os tipos. 

No entanto, muito ainda se questiona sobre o que é e como fazer a correta inspeção e acompanhamento do sistema de armazenagem. Com isso, nosso objetivo é desmistificar as informações que se tornaram públicas sobre esse mercado e auxiliar a comunidade a ter um melhor entendimento do assunto.

Alinhamos algumas perguntas e respostas importantes que vão ajudar o setor nesse entendimento, compartilhando os 51 anos de experiência que a ISMA possui. Boa leitura!

1- O que são sistemas de armazenagem?

Os sistemas de armazenagem são equipamentos destinados à “armazenagem” de materiais dos mais variados tipos. Os mesmos apresentam nomenclaturas próprias de acordo com dimensões, peso e materiais a serem armazenados. Além disso, há a variação de acordo o modus operandi dos usuários e com os equipamentos que são utilizados para abastecer ou desabastecer os mesmos.

As variáveis anteriormente descritas permitem que um sistema de armazenagem assuma desde a forma de uma estante, com altura equivalente a um ser humano, operada manualmente, até um porta-paletes autoportante, com dezenas de metros de altura, cuja operação se dá por meio de um transelevador automático que superam 1 tonelada.

 

2- Por que o produto é complexo?

Tratam-se de sistemas pré-engenheirados, geralmente constituídos em aço carbono, a partir de perfis formados a frio. Compostos por elementos perfurados e executados a partir de ligações semi-rígidas – normalmente somente a partir do encaixe de elementos ou do uso de parafusos, os sistemas são usualmente montados diretamente sobre o piso de concreto dos galpões, sendo isentos de qualquer tipo de fundação.

Devido às suas características construtivas, os sistemas de armazenagem experimentam fenômenos de não-linearidades de diversas naturezas, sendo inclusive projetados para ações acidentais que transcendem aquelas que atuam em outras soluções construtivas. Por exemplo, o choque mecânico entre o sistema de armazenagem e equipamentos de movimentação, que embora não seja desejável é algo que eventualmente pode acontecer e não deve ser suficiente para proporcionar o colapso do produto.

Tamanha é a complexidade da solução que comumente são sugeridos ensaios experimentais para uma melhor compreensão do desempenho dos sistemas, possibilitando também a obtenção de parâmetros empíricos empregados nas formulações de dimensionamento dos elementos que constituem o produto.

3- Os sistemas de armazenagem devem seguir algum tipo de norma técnica?

No Brasil, atualmente vigora uma norma técnica sobre o tema, a ABNT NBR-15524:2007. A referência é sobre os sistemas de armazenagem tipo porta-paletes seletivos, com alguns acessórios e sutis variações tipológicas.

Entretanto, existem muitas outras normas técnicas de origem internacional que também abordam amplamente o assunto. Por exemplo, as prescrições adotadas na Europa, através das publicações “EN”, são bastante completas, consolidadas e costumam ser frequentemente adotadas de modo complementar às diretrizes apresentadas pela norma brasileira.

4- O sistema de armazenagem é sempre igual, em qualquer lugar do Brasil ou do mundo?

Definitivamente não. Mesmo amparados por normas técnicas, os fabricantes dispõem de recursos fabris variáveis, o que ocasiona produtos finais com diferentes características. Normalmente, as características de um produto oriundo de fornecedor não são compatíveis com produtos beneficiados por outros fornecedores, embora existam casos isolados de produtos intercambiáveis.

Portanto, os sistemas de armazenagem embora “parecidos” apresentam diferenças significativas entre si, inclusive no que se refere às questões relacionadas ao acabamento do produto, em especial às etapas de pré-tratamento e pintura.

Observam-se comumente a variação de tipo de aço, de perfis e de tipos de ligação.

A perenidade de um determinado fornecedor é fator primordial na continuidade de um padrão existente em um cliente, no caso de uma nova aquisição, ou em outro extremo, na realização de um processo de manutenção com reposição de peças.

5- Qual é o melhor aço, o melhor perfil e o melhor tipo de ligação para um sistema de armazenagem?

Não existe uma resposta objetiva para a referida questão. Um produto projetado dentro das normas vigentes e que atenda ao escopo demandado pelo uso do cliente é o melhor produto que pode existir. As variações de aço, perfil e de outros detalhes construtivos – inclusive o tipo de ligação entre elementos – são inerentes à flexibilidade oferecida pelas normas técnicas e estão relacionadas a fatores alheios ao uso final, que vão desde a disponibilidade de matéria-prima aos recursos fabris existentes no momento da contratação de um produto.

Portanto, é errado imaginar que um sistema de armazenagem é mais ou menos seguro que outro só por ser feito em um determinado tipo de aço ou por ser constituído de um tipo específico de perfil. A rigor, a condição básica para a segurança é o respeito às diretrizes normativas. As recomendações previstas em norma podem ser atendidas das mais variadas formas possíveis, possibilitando a obtenção de soluções que embora apresentem diferentes meios, dispõem do mesmo fim.

Por exemplo: Um porta-paletes selecionado, constituído em aço com 300 MPa de tensão de escoamento, não necessariamente é menos seguro que um outro produto constituído em aço de 350 MPa. Tudo irá depender de como cada uma das matérias-primas será aplicada em cada um dos casos.

6- O produto pode ser montado de acordo com a necessidade do usuário

Pode, mas não deve.

Normalmente, o sistema de armazenagem é concebido para uma finalidade específica, com o objetivo de atender uma determinada demanda. O documento que apresenta essa particularidade é o “projeto”. Normalmente, ele apresenta todas as características do produto, os pormenores da implantação e os limites de uso do mesmo, incluindo a capacidade de carga.

Por se tratar de um produto pré-engenheirado, os sistemas de armazenagem acabam muitas vezes sendo visto como flexíveis a mudanças, afinal é impossível não associar sua proposta construtiva a um brinquedo LEGO®, onde diferentes peças podem se encaixar de infinitas maneiras diferentes.

Embora a possibilidade de mudança exista, sendo ofertada pela própria característica do produto, a mesma deve ser sempre validada antes de ser realizada, haja visto que pequenas mudanças nas condições construtivas podem impactar em grandes mudanças em seu desempenho. Uma das principais razões que ocasionam colapsos nestes sistemas é a mudança arbitrária das características originais de um produto sem a prévia validação de um especialista.

Por exemplo: Por menos intuitivo que se possa parecer, a remoção de níveis de armazenagem de um determinado porta-paletes seletivo e a consequente redução na sobrecarga total armazenada, não necessariamente origina uma solução mais segura.

Por quê? As longarinas (vigas) são responsáveis não somente pela recepção e encaminhamento das ações oriundas das unidades de carga armazenada sobre as mesmas, mas também pela contenção das colunas. Quando um nível de longarina é removido, ou reposicionado, impõe-se ao sistema uma alteração nas suas condições de estabilização, o que pode ser muito nocivo para a segurança do produto.

7- O sistema de armazenagem pode ser montado por qualquer profissional?

Pode, mas não deve. Novamente.

Por trás da facilidade das ligações encaixadas e da instalação de parafusos, existem muitos procedimentos executivos que garantem que as rigorosas tolerâncias normativas sejam respeitadas.

A montagem demanda recursos mais acessíveis se comparada à execução de outras soluções, principalmente por conta da natureza pré-engenheirada do produto. Porém, o mesmo apresenta uma reunião de fatores que demandam desde a sequência adequada de apertos de parafusos até uma forma adequada de ser manipulado durante a montagem. Assim, uma montagem adequada é fundamental para o estabelecimento dos níveis requeridos de segurança e para que o produto se comporte de fato como foi projetado.

Cabe salientar que a montagem visa não só estruturar o sistema mas também contornar pequenos desvios que são observados frequentemente nas instalações – como, por exemplo, eventuais desníveis existentes no piso do local da montagem.

Assim sendo, é altamente recomendável que sejam contratadas equipes de montagem especialistas em sistemas de armazenagem para a execução de uma obra nova ou a adequação de um produto existente.

8- Por que somente a ART não resolve todos os problemas de um sistema de armazenagem?

A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é um documento que vincula a responsabilidade técnica de um profissional (pessoa física) ou de uma pessoa jurídica a uma determinada “solução”, que pode ser um produto, um serviço ou qualquer outra atividade desempenhada por um profissional de engenharia.

O simples fato de existir uma ART não garante que um determinado produto foi concebido de acordo com as diretrizes normativas e que, por isso, oferece níveis adequados de segurança. A ART garante simplesmente que existe um CPF e/ou um CNPJ responsável pela solução e que no caso de um problema de grande monta, possivelmente os mesmos responderão nas mais variadas esferas pelo sinistro. Logo, ART é garantia de atribuição de responsabilidade e não um recurso que torna uma determinada solução inerte a fortuitos.

Daí a importância de se buscar empresas e profissionais especialistas no segmento, pois mais importante do que uma ART, é o know-how da assessoria prestada, que se traduz na adequação dos níveis de segurança das soluções propostas.

9- O “Atacarejo” (sistema de armazenagem misto, onde o porta-paletes é montado vinculado a gôndolas em redes atacadistas) é realmente perigoso?

O “atacarejo” é uma solução bastante utilizada no mundo afora e cada vez mais comum no Brasil. A diferença entre as soluções implantadas nesta modalidade operacional e outras existentes é basicamente a visibilidade e o acesso ao grande público. Toda engenharia de produto que está à disposição, por exemplo, de um operador logístico em um centro de distribuição, também pode – e deve – estar presente nas soluções de atacarejos, garantindo que as ambas as soluções apresentem níveis adequados de segurança.

A operação de um sistema de armazenagem, seja qual for ele, obviamente envolve riscos. Seja em uma área industrial, de acesso restrito, ou no site de uma rede atacadista, frequentado por centenas de pessoas, é sempre recomendado que os fornecedores e os usuários juntos mitiguem os potenciais riscos identificados, seja através da inclusão de acessórios de segurança ou seja com a adoção de boas condutas operacionais.

A interação entre os porta-paletes seletivos e as gôndolas, originando o atacarejo, demanda adequações em ambos os produtos. Assim, é conveniente citar que a solução implantada não apresenta as mesmas características construtivas amplamente adotadas nestes, quando executados separadamente.

Porém, se as adaptações forem executadas de modo inadequado ou arbitradas em produtos inaptos à aplicação, a solução resultante pode se tornar potencialmente perigosa, podendo culminar no colapso de um ou outro, ou ambos os sistemas.

10- E os porta-paletes seletivos? São perigosos?

Como mencionado, o uso de qualquer sistema de armazenagem deve obedecer um protocolo para mitigar riscos. Em porta-paletes seletivos, os riscos mais notáveis na operação estão relacionados aos choques mecânicos entre os equipamentos de movimentação ou as unidades de carga e os sistemas de armazenagem, a queda de unidades de carga ou mesmo de parte dos produtos unitizados e a ruptura de paletes. As diretrizes normativas apresentam soluções para cada uma destas manifestações.

Já os acessórios de segurança mais comumente adotados nestes sistemas são os protetores de coluna, os guard-rails e os limitadores traseiros, também chamados de “stops”. Entretanto, cada projeto é um projeto e os acessórios devem ser minuciosamente estudados de acordo com as necessidades de cada solução.

11- O sistema de armazenagem tem vida útil?

Sim e não. A vida útil de um sistema de armazenagem está diretamente ligada às condições de utilização impostas pelos usuários do equipamento.

Os sistemas de armazenagem, como outro equipamento qualquer, pedem boas práticas de uso, rotinas adequadas de manutenção preventiva e ações excepcionais de manutenção corretivas sempre que se fizer necessário. Os procedimentos citados, quando realizados de modo acertado, garantem uma maximização expressiva da vida útil do produto. Não é exagero afirmar que um sistema de armazenagem submetido às condições “adequadas” de uso e manutenção tem prazo de vida indeterminado.

Paradoxalmente, um sistema pode ter sua vida útil drasticamente reduzida se as recomendações descritas pelos fornecedores e pelas normas técnicas não forem seguidas.

Um dos principais procedimentos previstos em norma e que corroboram com a saúde do sistema de armazenagem é a “Inspeção Periódica”, atividade que garante que os níveis de segurança são mantidos ao longo do tempo, mesmo com o uso dos sistemas de armazenagem.

 

Para maiores informações sobre as Inspeções Periódicas, consulte a Linha de Negócio ISA, Inspeção de Sistemas de Armazenagem.